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quinta-feira, 12 de abril de 2012

ENSINAR: UM DESAFIO CONSTANTE.

Quando falamos de ensino e aprendizagem no âmbito escolar, estamos nos referindo a um processo diferente das formas como se ensina e se aprende em casa, com a família ou com os amigos, no ambiente em que se vive.
A escola tem uma maneira específica e intencional de organizar e propor situações para que ocorra a aprendizagem de determinados conteúdos culturais.
A questão central da escola- ENSINAR e APRENDER tem no currículo sua chave mestra, toma forma em um projeto de educação, exige planejamento, sustentando-se no trabalho coletivo dos educadores.
De cada professor, essa questão exige um sério preparo profissional que garanta, entre outros requisitos, o saber e o saber fazer, isto é, domínio do conteúdo e da metodologia do ensino.
A Metodologia de Ensino que o professor adota é sua própria perspectiva de tratar o ensino, seu posicionamento e sua atitude diante do processo. De sua visão a respeito da educação e do que seja ensinar e aprender, resulta seu modo de ser professor.
O professor, que entende a educação como prática social transformadora e democrática, trabalha com seus alunos na direção da ampliação do conhecimento, vinculando os conteúdos de ensino à realidade e escolhendo procedimentos que assegurem a aprendizagem efetiva. Sabendo que o conhecimento, desenvolvimento e aprendizagem são processos relacionados entre si, que acontecem por construção e interação, o professor privilegia conteúdos significativos e integra ao trabalho em sala de aula situações desafiadoras, problematizadoras, prevendo interações com os alunos e deles entre si com o conhecimento.
Sabendo que o fundamental da atuação docente é promover a aprendizagem dos alunos, o professor reconhece a importância de envolvê-los, mobilizar seus processos de pensamento, explorar todas as dimensões e oportunidades de aprendizagem, fazer e refazer percursos, criar e renovar procedimentos – visando sempre seus alunos reais, que formam um grupo com características próprias.
Sem o domínio do saber-fazer, o professor não pode selecionar, sequenciar e dosar o que vai ensinar, não consegue flexibilidade na escolha e no emprego de caminhos seguros para promover a aprendizagem em sala de aula. Diante da realidade sempre nova de sua classe e de seus alunos, mesmo que saiba muito, constantemente se pergunta como agir para que os alunos aprendam.
Acredito que ensinar, para todos os profissionais é um desafio constante todos os dias, pois a realidade do mundo atual exige muitas responsabilidades nas ações a serem executadas, e a escola é o espaço social privilegiado na construção do conhecimento.







Maria Fernanda Borges.
Pedagoga - Grupo educa-Ação.

segunda-feira, 26 de março de 2012

SOBRE DROGAS ILICITAS NA PÓS-MODERNIDADE OUTRO OLHAR

MINISTÉRIO PÚBLICO – RS
PROMOTORIA REGIONAL DE PELOTAS
GRUPO EDUCA-AÇÃO



O uso e dependência das drogas é um problema que afeta a sociedade e trás conseqüências diretas nos seguintes âmbitos: orgânico, escolar, familiar, profissional, cuja análise lá na ponta nos permite afirmar ser uma epidemia social, fruto da nossa sociedade contemporânea. A forma de enfrentamento que o governo brasileiro buscou anteriormente e foi por um longo tempo, tem provado não ser o mais acertado: Primeiramente a drogadição foi tratada, como segurança nacional, depois como uma questão moral e por último de forma acertada como saúde pública. A relevância desse tema e seu enfrentamento, esta na medida em que 80% dos problemas nos Conselhos Tutelares e 91% dos problemas das cidades brasileiras estão relacionados diretamente, com o uso abusivo das drogas, cuja superação passa por um comprometimento de toda a sociedade.
Por que a drogadição é um problema de saúde pública?Ao assistir a palestra do Deputado Federal Osmar Terra, esse provou cientificamente que: A temática “Das raízes da violência a uma questão de saúde pública”,tese resultante de um trabalho seu de pós-graduação (TCC), que basicamente consisti contrariar a máxima do filosofo e pedagogo Rousseau, que numa visão romântica afirmava através do ”O mito do bom selvagem” q: O homem é bom no seu estado selvagem e que a sociedade e a cultura que o estragava. Para o deputado, as raízes da violência são determinadas e determinante pela subjetividade do individuo que já trás a patologia, a cultura do transtorno mental, que precisa ser tratado a tempo, superando outras interpretações, que vêem a moral sob uma visão simplista, sob o bem e o mal e que segundo essa lógica, assume uma posição conservadora e reducionista.
Segundo Osmar, essas patologias são para especialistas da área médica e não de professores, pois esses últimos embora sejam especialistas, o são, mas na parte da educação. Com essa tese, justifica que as origens da violência não são culturais e nem objetiva, precisando sim, de serem tratadas como saúde pública. Diante dessas declarações cientificas se reafirma a necessidade de se buscar de forma inexorável, outra visão em relação aos que têm necessidades especiais. Como observamos essa patologia social, precisa ser superada com um trabalho de articulação e que passa pela responsabilidade social de todos, buscando sempre o problema das drogas focado como saúde pública. A rede deve buscar a funcionalidade de forma interligadas nas mais diversas áreas: A educação e a saúde enquanto promoção na segurança focado nas ações sociais, a exemplo e que esta dando certo, quer seja pelo cuidado, pelo olhar, pela escuta, que é a nossa Brigada Militar, através do PROERD (Programa de Educação e Resistência as Drogas e Contra a Violência), centrado sempre na valorização da vida e na participação da comunidade escolar, cuja intervenção em se tratando de segurança pública recebe o conceito de prevenção primária. Outras atividades de responsabilidade da segurança pública e que envolvem outras instituições estão na prevenção secundária, consistindo na ajuda ao usuário de drogas e por último e na menos importante, a prevenção terciária que é o combate direto contra os traficantes.
Frente à discussão aqui trabalhada fica a indicação que a política nacional sobre as drogas licita e ilícitas, além de demorado o processo na sua execução, está sendo construída com ações pontuais e que seus principais executores não possuem a compreensão do todo de forma que, ao considerarmos todas as discussões realizadas, percebemos de forma regionalizada, que não há, no entanto, uma clara compreensão de como a mesma deve ser operacionalizada. Isto fica reforçado pelo fato de os gestores de forma geral nas suas falas apresentam uma tendência a identificar a drogadição como responsabilidade individual, não permitindo a visualização do Direito nosso e Dever do Estado, nas ações de promoção a saúde no âmbito dos direitos sociais. Desta forma podemos colocar que o processo de construção dessa política sobre as drogas está ocorrendo de forma lenta e com ações isoladas. Com isso, podemos afirmar que ainda é pequeno o impacto das ações na vida dessas pessoas e mais, os gestores e as populações em geral não compreendem e não buscam a efetividade da Política Nacional Sobre Drogas, pois estão mais voltados ao censo comum (falso moralismo).
Certamente, diante do exposto, se faz necessária uma ação articulada, integrada e integradora entre os três entes: Município, Estado e União, buscando a capacitação dos gestores com a perspectiva de duas frentes de trabalho: Ações afirmativas no enfrentamento ao uso e dependência das drogas, por outro, ofertando uma real cidadania através de acesso e qualidade nas políticas públicas para a população carente. Essas ações deverão ter a preocupação, o foco baseada numa rede social interativa, conectada com vínculos sociais e que os agentes envolvidos sejam conscientes do seu papel nessa rede, também buscar novos parceiros sociais engajados nesse processo. É de vital importância que sejam disponibilizados os recursos técnicos e materiais, assim como o enriquecimento da experiência local com fundamentação teórica e novas idéias, projetos envolvendo as instituições acadêmicas, governamentais, comunitárias e outras.

Francisco Carlos Galho Arduim
Forum dos Conselhos Municipais
Grupo Educa-ação

TABAGISMO E SEUS CONFLITOS

Ministério Público do RS
Promotoria de Justiça Regional de Educação
Grupo Educa-Ação


1. Saúde pública:
– os custos financeiros muito acima da capacidade dos sistemas de saúde público ou privados / incapacitação temporária e permanente para o trabalho, com agravação de doenças concomitantes ao tabagismo / de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo passivo é a terceira causa evitável de mortes no mundo / cerca de 4.700 substâncias foram identificadas na fumaça dos produtos do tabaco; dessas, ao menos 250 são comprovadamente tóxicas e 50 são comprovadamente cancerígenas /...

2. Ecológicos:
– utilização de áreas de cultivo para alimentos destinados para a cultura de tabaco e o consequente desmatamento, de outras áreas, para secagem do fumo / produção de papel para utilização na industrialização do cigarro / desestimulo a produção de outras culturas em substituição ao tabaco / controle na utilização de pesticidas, na cultura do fumo, evitando a contaminação do solo e das águas / segundo o Instituto Nacional do Câncer de 15% a 25% dos incêndios em zonas rurais e urbanas são consequentes dos cigarros acesos jogados no meio ambiente /...

3. Familiares afetivos:
– fumar é uma atitude socialmente impróprio-inadequada ocasionando enfermidades graves, crônicas e debilitantes por consequência do fumo ativo e passivo / o ato de fumar é um estímulo ao mau exemplo no ambiente familiar / quase metade das crianças do mundo respira ar poluído pela fumaça do tabaco (OMS) / ...

4. Econômicos:
– o Governo depende dos impostos que são pagos pela Indústria do fumo. Esta Indústria vende ao fumante a doença, que para seu tratamento depende dos impostos arrecadados pelo Governo / os fumantes custam cerca de R$ 338 milhões, por ano, ao Sistema Único de Saúde (SUS) / alguns municípios do Rio Grande do Sul são economicamente dependentes da produção de fumo, próximo ao limite de 90% da sua economia / ...

a) Econômicos municipais / estaduais / federais:
- desvio-destinação de recursos que seriam destinados para educação, alimentação, prevenção de doenças, saneamento básico, lazer, esportes, cultura, segurança, no combate à corrupção em todos os níveis, etc. / reparação provocada por acidentes: incêndio em ambientes rurais e urbanos / trabalhadores fumantes afastam-se com mais frequência de suas atividades profissionais por doenças decorrentes do tabagismo / trabalhadores não fumantes de bares e restaurantes têm 50% a mais de risco de ter câncer de pulmão /...


b) Econômicos familiares e pessoais:
- gasto com o tabaco que poderia ser destinado para saúde, alimentação de qualidade, cultura, lazer, educação /...

5. Políticos:
– interesses alheios ao bem comum e a saúde da população são fatores decisivos para que se continue estimulando o cultivo do fumo à produção de cigarros, charutos e assemelhados, ocasionando situações insustentáveis como a morte de SETE brasileiros por dia decorrente do fumo passivo /...

6. Sociais:
– há relatos da utilização de mão-de-obra familiar na lavoura do tabaco, sendo freqüente o aproveitamento de crianças em algumas fases do cultivo / mais de 80% dos fumantes regulares começa a fumar bem antes do 18 anos, por este fato a OMS considera o tabagismo como doença pediátrica /...

7. Direitos humanos:
– todos têm o direito ao ar puro, direito a saúde em seu conceito mais abrangente...



Dr. Roni Quevedo
Grupo Educa-Ação
:

1. Saúde pública:
– os custos financeiros muito acima da capacidade dos sistemas de saúde público ou privados / incapacitação temporária e permanente para o trabalho, com agravação de doenças concomitantes ao tabagismo / de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo passivo é a terceira causa evitável de mortes no mundo / cerca de 4.700 substâncias foram identificadas na fumaça dos produtos do tabaco; dessas, ao menos 250 são comprovadamente tóxicas e 50 são comprovadamente cancerígenas /...

2. Ecológicos:
– utilização de áreas de cultivo para alimentos destinados para a cultura de tabaco e o consequente desmatamento, de outras áreas, para secagem do fumo / produção de papel para utilização na industrialização do cigarro / desestimulo a produção de outras culturas em substituição ao tabaco / controle na utilização de pesticidas, na cultura do fumo, evitando a contaminação do solo e das águas / segundo o Instituto Nacional do Câncer de 15% a 25% dos incêndios em zonas rurais e urbanas são consequentes dos cigarros acesos jogados no meio ambiente /...

3. Familiares afetivos:
– fumar é uma atitude socialmente impróprio-inadequada ocasionando enfermidades graves, crônicas e debilitantes por consequência do fumo ativo e passivo / o ato de fumar é um estímulo ao mau exemplo no ambiente familiar / quase metade das crianças do mundo respira ar poluído pela fumaça do tabaco (OMS) / ...

4. Econômicos:
– o Governo depende dos impostos que são pagos pela Indústria do fumo. Esta Indústria vende ao fumante a doença, que para seu tratamento depende dos impostos arrecadados pelo Governo / os fumantes custam cerca de R$ 338 milhões, por ano, ao Sistema Único de Saúde (SUS) / alguns municípios do Rio Grande do Sul são economicamente dependentes da produção de fumo, próximo ao limite de 90% da sua economia / ...

a) Econômicos municipais / estaduais / federais:
- desvio-destinação de recursos que seriam destinados para educação, alimentação, prevenção de doenças, saneamento básico, lazer, esportes, cultura, segurança, no combate à corrupção em todos os níveis, etc. / reparação provocada por acidentes: incêndio em ambientes rurais e urbanos / trabalhadores fumantes afastam-se com mais frequência de suas atividades profissionais por doenças decorrentes do tabagismo / trabalhadores não fumantes de bares e restaurantes têm 50% a mais de risco de ter câncer de pulmão /...


b) Econômicos familiares e pessoais:
- gasto com o tabaco que poderia ser destinado para saúde, alimentação de qualidade, cultura, lazer, educação /...

5. Políticos:
– interesses alheios ao bem comum e a saúde da população são fatores decisivos para que se continue estimulando o cultivo do fumo à produção de cigarros, charutos e assemelhados, ocasionando situações insustentáveis como a morte de SETE brasileiros por dia decorrente do fumo passivo /...

6. Sociais:
– há relatos da utilização de mão-de-obra familiar na lavoura do tabaco, sendo freqüente o aproveitamento de crianças em algumas fases do cultivo / mais de 80% dos fumantes regulares começa a fumar bem antes do 18 anos, por este fato a OMS considera o tabagismo como doença pediátrica /...

7. Direitos humanos:
– todos têm o direito ao ar puro, direito a saúde em seu conceito mais abrangente...



Dr. Roni Quevedo
Grupo Educa-Ação

quinta-feira, 15 de março de 2012

O homem comprometido com o próprio homem

A sociedade dos homens se organizou, de há muito, com o fito de buscar atender aquilo que passou a ser chamado de bem comum, ou seja, interesses pertencentes a todos.
Passados os anos, os séculos, com o processo evolutivo, surgiram novas idéias e concepções, chegando-se em nossa época certos da necessidade de se por fim a discriminações sociais, econômicas, afetivas, ou de qualquer sorte.
Correto o entendimento, mas como fazê-lo?
O Estado, nome dado a sociedade organizada pelos homens, apresenta-se impotente para o agir concebido, não atendendo, em certos casos, às mínimas necessidades de camadas sociais definidas como de atendimento prioritário, tal qual são crianças e adolescentes.
Os homens do contexto social costumam muito reclamar, muito falar, expressando manifestações como: “...O Estado não faz nada!”. Vale a pergunta: “...E os homens que isso falam, o que fazem?”.
Alguns anos atrás, a partir de uma visita em casa de acolhimento de meninas, na comarca de Pelotas, na qual verificamos que no banheiro e na sala de refeições, em pleno inverno de julho, com frio, como dizemos nós gaúchos, de “renguear cusco”, estavam os vidros das janelas quebrados, já tendo, a administração da casa, solicitado a troca em tempo passado de quase trinta dias, nada tendo sido feito pela lentidão e burocracia da máquina pública, imaginei um projeto, levado a efeito prático, nominando-o “Adote um Abrigo”.
Da concepção anímica passamos a construção prática, e, em parceria com a Secretaria de Cidadania de Pelotas, colocamos o pensamento em termos concretos no seio social.
A essência do projeto é a conclamação de que crianças e adolescentes não são uma questão de governo, mas sim uma questão de Estado, que somos todos nós. Assim, chamamos a sociedade a trabalhar com as casas de acolhimentos, nas mais diversas e variadas tarefas, tais como trocar vidros, doar óculos, dar consultas dentárias, ler histórias, dar aulas e reforço escolar, realizar atividades lúdicas, enfim, tudo aquilo que o homem, como ser solidário que é, em sua essência, pode, se o quiser, fazer, realizar em favor de quem está ao seu, de outrem.
Um elemento importante do projeto é a vedação a doação de dinheiro. O elemento monetário foi, desde de o início, afastado do projeto, que busca, sim, o agir concreto e efetivo do ser humano em favor de seu próximo, do outro, de pessoa que sofreu ou está sofrer as mais danosas condutas a seus direitos básicos.
Passados vários anos de trabalho, o projeto continua vivo e forte, hoje com 39 padrinhos das casas de acolhimentos de Pelotas, número esse integrado por pessoas físicas e jurídicas que resolveram problemas básicos, muitas vezes tão pequenos, mas de consequências tão grandiosas, de tais instituições, superando, dessa forma, a conduta estática do Estado, por seu governo, geradora de sua enorme falta de efetividade, por seu governo, para com o contexto social da infância e adolescência.
Importante se declinar que como isso não se afastou a responsabilidade do Estado para as casas de acolhimentos, muito pelo contrário, a cobrança sobre ele aumentou, pois os padrinhos se constituem em instrumentos de fiscalização, exigindo melhorias nas casas por eles apadrinhadas.
Para ingressar no projeto basta inscrever-se junto à Promotoria de Justiça e, em aceito, assinar um termo de compromisso que deve ser, concludentemente, colocado em execução, sob pena de desligamento.
Outra benesse do projeto é a regulação que faz quanto ao chamado “trabalho voluntário” que muitas pessoas faziam nas casas de acolhimentos, sem qualquer controle do Estado, servindo, tais atividades, em diversas situações, de instrumento para encaminhamentos, por exemplo, de indevidos pedidos de adoções.
Enfim, ao término de mais um ano, o projeto segue seu rumo, estando forte e eficáz. Espera-se que em 2013 ganhe ele ainda mais contundência, com a comunidade da comarca de Pelotas cada mais entranhada em atividades de proteção a criança e ao adolescente.
Vale aqui os dizeres de Gibran: “O Trabalho é a mais efetiva manifestação do amor”.
Que assim seja.


José Olavo Bueno dos Passos
Promotor de Justiça
Pelotas/RS

O formal e o Material

Ministério Público do RS
Promotoria Regional de Educação
Grupo Educação


No mundo atual é comum o apego a expressão “está na lei”, ou “não está na lei”. Enorme ambiguidade há nisso.
Sabe-se que lei e justiça são coisas diferentes, pois em muitos casos a norma legal se encontra dissociada do valor material a ser constituído.
Da mesma forma há de se discutir o contexto evolutório do processo educacional.
Vivemos em um mundo assombrado pela velocidade, pela globalização, pela imediata transmissão do conhecimento. Ao mesmo tempo o sistema de organização da educação anda a passos de tartaruga, chegando-se ao ponto da absoluta desatualização dos livros didáticos utilizados no processo pedagógico escolar.
Fala-se ainda da questão curricular, mantida inalterada e presente em tempo pretérito, questão que urge ser superada e abraçada por reforma que arvore a ideia da regionalização.
Necessário tenha-se uma escola interessante, harmônica, que prenda o aluno não pela questão dos muros ou do autoritarismo, mas sim pela vontade do discente de nela estar, de ela vivenciar, situação que hoje não ocorre.
Há de se ter uma escola democrática, participativa, moderna, do século XXI, e para isso é preciso que os professores participem do processo de transformação, assim como os alunos e seus responsáveis legais. Sobre estes há de pugnar pelo seu retorno aos espaços escolares, ante seu afastamento dos bancos escolares.
O que se está falando? O que se está dizendo? A resposta é simples: imperativo sofra a educação total mudança de paradigmas, para que se fale em educação, para que se tenha educação, e não apenas se adentre em um processo de instrução, que é o que está a ocorrer nos dias atuais.

José Olavo Bueno dos Passos
Coordenador da Promotoria de Justiça Regional de Pelotas

MULHER, simplesmente Mulher...

Ministério Público do RS
Promotoria de Justiça Regional de Educação
Grupo Educa-Ação




Ao longo do tempo, a figura feminina sempre foi associada aos cuidados domésticos e familiares, haja vista o caráter educativo, cuidadoso e sensível que a mulher adquiriu neste processo.
Ser mulher no século XXI é desafiar a história machista, construída e solidificada pelos interesses econômicos, sociais e políticos. Entretanto, uma nova realidade desponta nesta conjuntura emergindo criticamente o “sexo frágil” de nossa atual sociedade. Falar sobre mulher é deixar florescer a beleza que este ser transmite em sua pluri-singularidade. Escrever sobre a mulher é retratar, com grandiosidade e ousadia, a história grandiosa, protagonizada por todas elas que almejam gozar dos mesmos direitos, assim como os homens. É próprio do ser feminino a arte de educar com cuidado e sensibilidade os seres que a rodeiam, ao mesmo tempo em que os torna fortes e autônomos pela sua firmeza.
Hoje, neste século, a mulher emerge, consideravelmente, com o apoio da família a fim de crescer a vida familiar e enraizar nesta sociedade, ainda machista, valores mais éticos, capazes de humanizar os seres que aqui habitam. No nosso modelo econômico a mulher é vista sob a ótica do consumismo e do mercado de trabalho, pois só tem valor o ser humano que consome, e quanto mais consome melhor.
A mesma sociedade que faz a mulher crescer e reconhece seu suor, ainda paga um salário inferior ao do homem. Valoriza-se o ser original e diferente esteticamente, quando também define os padrões de beleza, criando as anoréxicas, bulímicas e depressivas. É tudo muito contraditório, mas é na contradição que a mulher se fortalece...
Teríamos que perguntar a esta altura e refletir sobre os vários e talvez incontáveis papéis que a mulher desempenha na completude de ser simplesmente mulher... Na sua performance, encontramos a companheira, amiga, mãe dedicada e amorosa, a filha, a irmã, a profissional. Enfim, pensamos na força que a impulsiona para uma singularidade, magia, unicidade no cuidar, pois tem garra, é obstinada nos seus desejos de proteger. Carrega consigo marcas, dores, sofrimentos e, na universalidade cultural de ser vista e sentida como sexo frágil, descobre nas próprias ações que é uma fortaleza. Consegue assumir e descobrir intuitivamente o poder inalienável a sua condição de ser mulher protetora. De forma determinada, assume o cuidar, o nutrir com destreza e sutileza.
MULHER, que tantas pensam e vêem puramente como emocional, é de muita racionalidade que assume o controle da própria existência e, no seu caminhar, mostra a guerreira que é.
MULHER que luta pela paz, pela Justiça e pelo bem comum da humanidade.
Não podemos deixar de citar as mulheres que em 2011 foram premiadas pelo “Nobel da Paz”: Ellen Johnson Sirleaf, nascida na Libéria, primeira mulher a presidir um país africano; Leymah Roberta Gbowee, da Libéria África, guerreira da Paz e Tawa Kul Karman que nasceu no Lêmen, Ásia; jornalista e diretora da Organização de Mulheres Jornalistas. É a primeira mulher árabe a ser agraciada com o Prêmio.
Afinal, quantas outras mulheres não premiadas lutam pela harmonia e o bem estar de todos(as) que as rodeiam, inegavelmente tentando reconhecer o(a) outro(a) independentemente de conceituações hierárquicas e excludentes criadas pelos humanos, lutando por um mundo mais justo e pleno, sendo “simplesmente Mulher....”.



Prof. Dora Mara Domingues
CONER / Seccional 5ª CRE
Grupo Educa-Ação

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - COMO LIDERAR? APENAS FALANDO DO LUGAR DE AUTORIDADE?

Este artigo começou a ser pensado a partir das reuniões semanais do grupo Educa Ação, coordenado pela Promotoria da Infância e Juventude, que dentre outras aprendizagens nos oportunizou algumas intervenções com o quadro docente de diferentes escolas, portanto, de diferentes realidades, consequentemente diferentes líderes.
Encontramos líderes com diferentes ideologias: os que entendem que o processo de aprendizagem se inscreve na dinâmica da transmissão de cultura, que constituiu a definição mais ampla da palavra educação e que, portanto, reúne seus professores propondo uma reavaliação do processo pedagógico que vinham desenvolvendo; encontramos, também, causa de nossa preocupação, líderes que rechaçam e menosprezam a capacidade intelectual de sujeitos provenientes de uma privação cultural, que implica em desconhecer situações educativas que são vivenciadas por cada um, em função de ideias, valores, experiências, padrões éticos e morais, principalmente dos sistemas de autoridade e disciplina. Diante disso, entendemos, que cabe a escola re-significar, propondo outros modelos de referência, mas no entanto, vivenciamos realidades que trazem questões, como por exemplo: "Esta comunidade é assim, portanto, não temos como esperarmos resultados positivos de nossas ações, tudo já se fez e nada nos indicou qualquer transformação". Essas colocações nos parecem caracterizar a "Oligotimia Social". "Oligotimia que é a capacidade de aprender a pensar, maciçamente deturpada por desejos de outras ordens, e Oligotimia Social que não poderíamos fazer corresponder com nenhuma classe social em particular" (Fernández.A.). Infelizmente, nós brasileiros – pelotenses, temos muitos exemplos desta patologia.
O alerta se estende e se objetiva numa reflexão sobre os perigos de uma educação restrita, não crítica e antidemocrática.
Em relação ao ensino propriamente dito, salientamos aspectos como: o distanciamento entre professores e alunos com base num vínculo frágil; a metodologia vigente, que, em raras exceções deverá priorizar as máximas do relacionamento interpessoal uma vez que, em detrimento destas teremos um enfoque cognitivo-conteudista que gerará uma juventude mais voltada as coisas e aos dados (não interpretados e/ou relacionados) do que aos valores, as relações entre o vivido e o que se desejará viver, indicando que o processo será muito mais de informação do que de formação.
Neste processo, todo o contexto tem seu peso e, acreditamos, fazer parte da história do sujeito (do que aprende e do que ensina) de forma significativa. No entanto, o que é preciso é o encontro entre duas ou mais pessoas que se dedicam, se empenham em compreender o que está vigente para determinado grupo e cultura.
É uma comunicação que ultrapassa o olhar, o gesto, o falar, o canto, a dança. Mas, que também pode ser tudo isso e muito mais. Agora o comunicar fica numa outra instância. Numa outra dimensão. Comunicar de forma a deixar registro fora de quem comunicou – registro que fique à disposição de qualquer um que queira se envolver com o comunicado mesmo depois de muito tempo, e, por vezes, a distâncias incalculáveis. Comunicar além da arte. Com ou sem arte, mas com a alma, com o querer, o ser, o pensar. Com o desejar de cada um.
Um dos momentos importantes desse processo é a alfabetização que é o fruto do grande envolvimento entre pessoas que tem algo de muito precioso que as difere: uma domina o sistema de representação da língua escrita e a outra possui o domínio da leitura e registros que mantém o sujeito hábil na interpretação de percepções e expressões ricas de significados que fazem o comunicar fora do sistema da leitura e da escrita.
Cabe aqui uma postura ética que deve nortear a intervenção daquele que ensina – o respeito neste conhecimento – que pode ser transformado em crescimento para ambos, porque se fará pelas trocas de experiências com base no vínculo e na construção das estruturas do sistema da linguagem escrita, por aquele que aprende, através de muitas acomodações que visam a "equilibração" dos constructores. Ou seja, a construção do sistema de leitura e escrita vai sendo feita pelo sujeito e este processo é capaz de seguir sua própria evolução de ajustes que promovem a apropriação do sistema. E, todo e qualquer alfabetizando, precisa chegar ao domínio do sistema para usufruir plenamente desta aprendizagem. E, ainda, manter bom vínculo com aquele que ensina para vivenciar esta aquisição com algo bom, sadio e amoroso.
Outro aspecto apontado é a falta de qualificação dos professores, e entendendo que a docência e a pesquisa, como demais funções – supervisão, estudos de casos – realizados sistematicamente, facilitariam, consideravelmente, o entendimento da vivência dos alunos, que na maioria das vezes é muito sofrida.
Reverter esse quadro, resgatando o desejo de aprender de sujeitos já desacreditados, desesperançosos, exige certamente que o profissional que está a frente de uma instituição desenvolva um trabalho contínuo de busca de identidade e competência, pois, a busca de identidade de cada um é, sem dúvida, um processo rico, e a dinâmica, que ocorre para o alcance desta, nem sempre é tranquila. Devemos, também, resgatar, sempre, em ambas as disciplinas, a historicidade dos fatos, das pessoas e das instituições, indispensável ao saber e fazer profissional.
Ainda quanto à questão da liderança, esta deve circular, segundo a natureza da ação, entre todos os membros da equipe.
Liderar é congregar o interesse de pessoas na realização de um projeto, de um sonho, de uma ideia. É estar conectado com o que se acredita ser bom para a comunidade, fazendo com que a equipe se assuma frente ao desafio.
Liderança é uma questão de circunstâncias e independente de poder. Mas, os poderosos creem que liderança seja condição e manutenção do poder.
Quando se assume o poder e se é competente, até podemos liderar. Porém, é bom saber que, também neste caso, a liderança continua sendo uma questão de circunstância.
Finalizando, enfatizamos que aprender é uma questão, também, de relação objetal, de amorosidade, que está eminentemente atrelado a limites, ou seja, traduz a elaboração das trocas que fizemos e fazemos com os outros, com o mundo e conosco mesmo.
"(...) no mundo atual não há potências sem cientistas e não há ciência sem educação popular. A ciência é por outro lado a resultante intelectual da liberdade política (...) Uma potência apoia-se num sistema escolar que dá continuidade Histórica à nação e fabrica seus próprios meios de soberania." (Lima, Lauro de Oliveira).


Ursula Coswig Buss
Psicopedagoga

GRUPO EDUCA-AÇÃO - SOU PROFESSORA, GOSTO DE SER E DA´?

Quantas vezes acordamos o sol.
Quantas vezes nosso corpo se rende a rapidez com que nossa mente trabalha e sucumbe antes mesmo que sintamos ou percebamos como o tempo passou.
Estamos cansadas!
A entrega e o prazer que depositamos em nosso trabalho foi tantas vezes negada que até chegamos a sentir vergonha da nossa condição/profissão. Por anos nos conformamos com a condição de que trabalharíamos para comprar nossos "alfinetes" e, apesar de desempenharmos nossas tarefas com inocente qualidade nos faltava reconhecimento para termos vontade de buscar mais conhecimento e, assim, pararmos de reproduzir a mesma sociedade que os homens nos ensinaram a respeitar e, principalmente, a cultuar e acreditar.
Fizemos por muito tempo um trabalho que, não menos importante, se limitou à "flexão" ao determinado, mas a visibilidade e consciência de nossas ações, como também a efetivação de uma escola para todos, nos remete a "reflexão" densa que adentra o espaço escolar. Deixamos a inocência, o determinismo e as verdades, por vivências, construção e incertezas, todas próprias de um ambiente vivo, rico em novas experiências a todo o momento.
Por tempos nos colocamos como "alguém acima" da sociedade, acima dos nossos parceiros, trabalhadores de outras categorias, pois nós não poderíamos ser comparados a operários, pois para eles e elas sobrava o trabalho pesado, o nosso, ao contrário era "leve". Será?
Passando por todos os estereótipos, rótulos, frases feitas, proibições e libertações, chegamos a esse momento, com muitas perguntas, muitas reivindicações, muita falta de reconhecimento, mas, ainda, muitas de nós com muita vontade de trabalhar com educação.
Por quê?
Observando as ações de alguns educadores, que trabalham o prazer, a criatividade, a afetividade, a autoridade, a autonomia e com autonomia e o conhecimento como quem caminha junto, como quem percebe em si uma solução, como quem vê em seu trabalho a realização de muitos sonhos e a concretização de muitas esperanças, é que me aventuro e me encontro embalada na satisfação, quase poética, de que essa é uma profissão que vale pela importância que tem que não deve valer pelo poder de compra e venda, pois não somos mercadoria e tão pouco devemos ser "cotados" para termos importância.
Não falo aqui somente de professoras que tem bons salários. Existem. Pasmem! Não falo aqui somente de professoras que atuam em escolas que lhes dão apoio material e financeiro para realizarem seu trabalho. Existem. Creiam! Não falo aqui somente de professoras inovadoras que trabalham em escolas que as compreendem enquanto transformadoras. Existem. Eu as conheço! Não falo aqui somente de professoras que tem um belo discurso que disfarça (ou não) um trabalho lastimável. Existem. Digam que não! Não falo aqui somente naquelas professoras que não tem problemas pessoais, financeiros, afetivos etc, etc, etc. Perdoem, mas eu não sei se elas existem, afinal de contas são gente. Ou não¿ Falo também e muito, da dona de casa ou não, da jovem ou não, da que trabalha na escola onde ela se sente só porque suas idéias são tidas como de alguém que ainda vai se decepcionar; falo naquelas que tem vergonha de falar, pois as direções são muito sabidas e inibem suas idéias; falo naquelas professoras que são a esperança da família, a alegria dos pais ou a tristeza de não terem escolhido uma profissão mais "bem paga" (para aqueles que acreditam que o bom trabalho é o que paga mais).
Falo para quem poderia ter optado por aquela idéia e optou por esta; falo para as professoras que em alguns momentos têm vontade de gritar para que talvez alguém escute alguém olhe, alguém veja, alguém entenda e acredite que ser professora é tão bom e tão ruim como "ser" qualquer profissão, que ser professora é ser tão profissional como qualquer outro, e muito mais, porque enquanto uns podem construir mal, obturar ou extrair errado, não curar, nós professores podemos destruir sonhos, que nunca se tornarão certezas, que nunca acontecerão. Por isso precisamos respeitar muito nosso trabalho e nossa função social para conseguirmos sonhar junto com nosso aluno que é aquele que vê, e vê profundamente, em nós a beleza de ser curioso, de descobrir, de ter dúvidas, de ter prazer, de ser feliz.
Depois de todo dia de estudo, reunião, problemas, aulas, diários de classe, dossiês de alunos, telefonemas de casa, contracheque leve, discussões pesadas, risadas, choros, lanches, cotovelos e joelhos ralados, ofensas e carinhos, bilhetes doces, palavras salgadas, olhares, certezas e incertezas, chegamos ao fim do dia.
Hora de colocar o sol para dormir e de acordar as estrelas, acreditando em nosso olhar, em nossos sentidos e em nossa capacidade técnica e afetiva; acreditando "na beleza de ser um eterno aprendiz" junto com aqueles que protagonizam conosco a autoria e a atuação na construção da história do cotidiano escolar, pois eles são a razão do nosso crescimento e das nossas renúncias. São a razão das nossas desilusões, dos nossos sonhos e das nossas realizações, salientando a importância das relações, do ver-se e sentir-se imprescindível para tornar este espaço de convivência mais "encantante" e encantador.

Profª. M. Alice Maria Souza Szezepanski

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO: EDUCAÇÃO: UM ATO DE AFETO.

Afeto, que sentimento é este tão importante à existência humana? Necessário ao encontro, imprescindível na construção dos limites e das possibilidades do ato de educar?
Ao refletirmos sobre os encontros, em especial, aqueles que acontecem dentro do espaço escolar, somos logo levados a reconhecer que os mesmos não aconteceriam se não houvesse o afeto.
O encontro afetuoso dá-se quando nos percebemos, nos descobrimos e nos aceitamos na infinidade objetiva e subjetiva do significado destas palavras, sem ele simplesmente iríamos "passar uns pelos outros", de forma fria, mecânica, neutra e atrevo-me a dizer mentirosa.
Ao perceber o outro e os outros, docentes e discentes se reconhecem como aliados na construção e na troca de conhecimento; ao se permitirem à construção e a beleza da descoberta, entenderão a sublime frase de Paulo Freire: "Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes!". Neste ato "dependente" e carregado de afeto se aceitarão e então a escola passará a ser um espaço de todos, para todos e com todos, muito além do que está previsto, e certamente importante, na LDB, na Constituição Federal, no ECA e em tantos outros documentos que tratam da legislação educacional.
Assim, a escola será aquele lugar de encontro, onde todos podem "ser" e "crer", onde existam pessoas que se preocupam com a formação de seres, onde a dificuldade é transformada em desafio, desafios que não paralisam, mas que, ao contrário, impulsionam à ação motiva a busca e estimulam o fazer educacional.
Partilhando estes espaços, vivendo a coletividade, entendendo como coletivo o encontro que aceita, que acolhe, que se percebe e que se descobre; diferente da coletividade como espaço utilizado por vários entre outros significados descomprometidos com o afeto.
Certamente como em qualquer situação os limites se farão necessários, pois, também são atos de afeto. Limites que farão parte do nosso diálogo sempre/diariamente e não em ocasiões pontuais que na maioria das vezes se apresentam como mediadores de conflitos; limites que não impeçam a reflexão dos atos (limite pelo limite, que abafa o problema muito antes de resolvê-lo, que sufoca); limite que enfrenta a verdade, mesmo sendo feia e doída, mas que nos ensina e também nos faz amadurecer.
Os limites devem ser construídos na coletividade que se descobre e se percebe, e ao se perceberem, irão reconhecer suas próprias fragilidades e assim, num esforço mútuo, poderão superá-las, tornando a vivência coletiva espaços/momentos de reflexão sobre o papel que temos e a responsabilidade de assumirmos com muita competência o ato de educar e que este nosso educar seja o educar pelo afeto, pela compreensão, tolerância, autonomia, dignidade, esperança, comprometimento, amor e pela indignação à falta de respeito.
Reconhecer, compreender e aceitar os limites não é uma dificuldade discente, ou seja, se apresenta como uma dificuldade humana, já que o mesmo restringe a nossa vontade, estabelece fronteiras, demarca, impede, revolta... Daí a importância imprescindível do afeto, pois ele será o único sentimento que não nos cegará para estas questões que fazem parte do nosso "ser", "fazer", "crer"...
Crer verdadeiramente nas possibilidades de cada um, apostando na nossa capacidade de diálogo, encontro e de proponentes de uma educação que transforma. Acreditar que todos os dias temos a chance de fazer diferente e melhor: disponibilizando-nos a ouvir, dando vez e voz, permitindo a dúvida e o eterno exercício de aprendizes uns dos outros, objetivando a formação de seres humanizados, percebendo que isso só se dará num diálogo mediado pela ação do afeto, que se diferencia do monólogo triste e autoritário, da fala que "aponta" e "julga".
Parece utopia, sonho, devaneio... mas não é, estamos falando da sua escola, da nossa escola, da nossa sala de aula, destes espaços de encontro, de afetos, de paixões... de possibilidades estabelecidas por nós, com a nossa marca, um retrato/reflexo dos nossos desejos, da nossa organização, planejamento, busca, luta, perspectivas, ideais...
E por que não falar de sonhos? Por que nos envergonharmos da utopia? Do desejo? De querer e lutar para que se tornem possíveis todos os sonhos? E quantas vezes tornaram-se possíveis e ainda tornar-se-ão se assim realmente desejarmos!
Não existe a pretensão de apontar caminhos/maneiras, pois cada um de nós tem os "seus/suas", mas fica aqui um convite a todos os educadores que neste momento estão angustiados, inquietos, incomodados:
"Transforma as tuas angústias em motivação... sai da apatia, busca, investiga pesquisa, conversa com teu colega, divide, luta... faz a diferença... Que toda a dúvida gere busca... que toda a busca aponte caminhos... que pelos caminhos façamos amigos...e que estes amigos guardem na lembrança após muitos anos o quanto a desacomodação, a troca e a interação contribuiu para o crescimento pessoal e profissional" *
* Citação da autora


SIBELE MIRAPALHETE
PEDAGOGA
ESPEC. ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - A SAÚDE NA VIDA ESCOLAR

SAÚDE e EDUCAÇÃO são dois temas fundamentais na vida de todo cidadão, em especial de crianças e adolescentes. No nosso país, na última década tivemos avanços, mas ainda não chegamos à altura do que necessitamos para estarmos em patamares satisfatórios no que tange a uma educação de qualidade social.
Na educação pública, do nível fundamental ao médio – meu foco neste texto -, temos problemas básicos e simples que podem ser solucionados com medidas administrativas sem despender de grandes somas financeiras, necessitamos de melhorias significativas na qualificação das relações para termos uma integração satisfatória entre alunos e professores, onde se possa ter um ambiente agradável, no qual o professor possa realizar um trabalho que lhe dê prazer e que o aluno consiga o aprendizado necessário para se qualificar e ser alguém capaz de buscar por sua vocação seja na formação acadêmica que almeja ou no campo de trabalho. No momento, em muitas de nossas escolas ou colégios, o que temos são professores descontentes por ser mal renumerado, por não conseguir ter um bom relacionamento com seus educandos, ou pelo espaço físico não ser o adequado, dentre outras situações.
A criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) veio para trazer a garantia dos direitos, aos jovens e crianças e principalmente para coibir as agressões que estes sofriam. O que "não ficou" explicito, principalmente aos jovens, neste documento, são os deveres que os mesmos tem para com a família e a sociedade, pois em momento algum foi dado a estes o direito de desrespeitar seus mestres, sejam eles os pais ou professores, muito menos foi tirado a sua obrigação de buscar o aprendizado, junto às unidades escolares; o dever de respeitar o espaço público que se vive, os familiares, as pessoas idosas (quer sejam seus parentes ou não) e, também, de preservar o meio ambiente. A Cartilha dos Deveres e Direitos das Crianças e Adolescentes, publicada no Site http://htpctextos.spaces.livre.com apresenta no seu conteúdo:
DEVERES
Cumprir regras e normas;
Obedecer a ordens dos pais, familiares e professores;
Participar da convivência familiar e comunitária;
Estudar e freqüentar a escola;
Respeitar todas as pessoas independentes de raça, cor, sexo, religião ou classe social;
Praticar os bons costumes;
Conhecer os valores da escola, da família, e da sociedade;
Preservar os espaços públicos e meio ambientes;
Procurar o conselho tutelar sempre que tiver dúvida sobre seus direitos e deveres a serem cumpridos.
Na ampla maioria das publicações o que encontramos são os direitos de crianças e adolescentes. Então, o que ocorre freqüentemente nas salas de aula, por ser algo ainda em processo de implantação, são adultos intimidados com o ECA, olhando apenas para os direito e não abordando, discutindo, refletindo com seus pares e com as crianças e adolescentes, seus alunos, seus deveres. Esta postura tem levado muitos estudantes a se darem o direito de ingressar na sala de aula a hora que lhe é interessante e prestar a atenção na matéria que o professor está passando quando lhe dá vontade, na certeza de que para estas desobediências não há um amparo legal.
O erro cometido talvez esteja na forma em que a Lei foi implantada ou na ineficiente condução nas discussões sobre a mesma, sem que a população, pais professores e lideranças, tivessem a assimilação da mesma. Saliento que em alguns pontos esta legislação se tornou mais rígida para os adolescentes, porém isto não é amplamente divulgado; que há pontos frágeis onde já existem discussões para mudanças, que são referentes a um índice pequeno da população de jovens e crianças, ou seja, para os infratores da segurança pública, porém a de se frisar que o apresentado pela mídia de uma maneira assustadora, não compromete os demais benefícios trazidos pelo Estatuto.
Tratando de saúde pública podemos afirmar que após a constituição cidadã de 1988 ocorreram avanços para atender o público escolar, mas estes benefícios necessitam ser bastante ampliados e em curto prazo, principalmente nas formas preventivas, tanto para alunos quanto para professores. Em 2007, o governo Federal publicou o Decreto 6.286, criando o Programa de Saúde na Escola, no qual os objetivos são entre os seguintes:
I - promover a saúde e a cultura da paz, reforçando a prevenção de agravos à saúde, bem como fortalecer a relação entre as redes públicas de saúde e de educação; II - articular as ações do Sistema Único de Saúde - SUS às ações das redes de educação básica pública, de forma a ampliar o alcance e o impacto de suas ações relativas aos estudantes e suas famílias, otimizando a utilização dos espaços, equipamentos e recursos disponíveis;
No Brasil, a Lei 8080/1990 definiu que a vigilância em saúde tem quatro campos (Sanitária, Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador) e estas são de responsabilidades dos gestores municipais. As três primeiras estão implementadas em muitos dos municípios brasileiros e em todos os Estados, porém a Saúde do Trabalhador que é responsável por muitas causas de adoecimento, não é prioridade para a grande maioria dos gestores públicos, até mesmo para o Ministério da Saúde, haja vista que apenas em 1998, foram tomadas providências para se encaminhar ações neste sentido e nos últimos 10 anos é que temos recursos específicos para este fim. No atual governo federal foram criados em torno de 200 CEREST (Centro de Referencia em Saúde do Trabalhador), porém a legislação federal é branda e deixa a definição e regulações aos governos estaduais ou municipais e assim se torna ineficiente este serviço.
No momento atual, no que se refere aos professores, sabemos que não há a devida atenção da saúde pública, seja na política da saúde laboral ou na rede pública de uma forma geral. Problemas como o pó de giz, a iluminação e ventilação das salas de aulas, o ruído e os meios físicos deveriam ser trabalhados como prioridade pelos profissionais da área sanitária e em especial por aqueles responsáveis pela saúde do trabalhador; alerto para o fato de que muitos ainda necessitam de orientações psicológicas, psiquiátricas ou de fonoaudióloga e isto não está disponível no SUS para estes profissionais.
Quanto aos alunos, muitos necessitam de atendimento odontológico, psicológico, psiquiátrico, oftalmológico, fonoaudilógico, dentre outros e estes serviços não são oferecidos de maneira suficiente na rede pública. Em Pelotas, temos o CASE (Centro de Atenção a Saúde Escolar) que é a referência para a comunidade escolar, mas este serviço tem um número reduzido de profissionais, com espaço físico limitado e falta de equipamentos afins. Nosso município já deveria ter implantado um CAPS Infantil para tratamento de crianças e adolescentes para um acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, pois devido aos problemas sociais da nossa região este serviço é extremamente essencial. Sem este apoio da rede de saúde pública a comunidade escolar tem um índice elevado de reprovação, evasão escolar ou uma quantidade expressiva de alunos que se formam sem a devida qualificação.
Outro fator que deveria ser trabalhado pelos gestores públicos é a presença da Vigilância em Saúde, juntos as escolas para garantirmos melhores cuidados com os sanitários existentes até a verificação dos fatores epidemiológicos e ambientais que atingem aos nossos alunos, porém desconhecemos esta a presença deste serviço da saúde junto aos educandários.
Importante salientar que exames preventivos básicos e fundamentais como o teste do pezinho e o teste da orelhinha não são valorizados como deveriam pelos gestores públicos. Nestes testes podem ser identificados vários problemas que a criança vai enfrentar no seu desenvolvimento geral comprometer seu desempenho escolar. Quando estes problemas são identificados e tratados minimiza-se ou soluciona-se muitas questões de fundo neurológico, problemas de audição, visão e outras doenças; levando, também, a economia de recursos públicos
Em fim podemos dizer que a saúde e a educação deveriam ter uma grande aproximação e ambas desenvolverem atividades conjuntas, pois estas são fundamentais para o desenvolvimento do ser humano, para a qualificação da vida e para a garantia da nossa cidadania, o que nos daria como conseqüência a melhoria do índice cultural de nossa população.

Luiz Guilherme Belletti
Grupo EDUCA-AÇÃO, representando o CMS.

domingo, 31 de outubro de 2010

A EDUCAÇÃO E A NOVA PRESIDENTE

Neste momento em que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proclama o resultado do pleito presidencial, penso nas possibilidades de evolução do plano educacional nos próximos quatro anos.
Qual o compromisso da presidente Dilma Roussef com a educação; com a escola progressista; com a escola formadora de cidadãos; e com o processo pedagógico?
Desconheço a resposta, mas me assola a preocupação, a idéia de que a futura mandatária está mais afeita a busca do crescimento econômico, e um pouco distanciada do desenvolvimento social de cunho humanístico, ou seja, na construção de um meio ambiente saudável e afeito a evolução do homem como homem, e não deste como apenas como integrante de um processo de geração de riquezas de valor patrimonial.
Quer queira esteja enganado em minha concepçção?
Não ouvi, ainda, a presidente em seu primeiro discurso com candidata eleita. Sei de sua competência; sei de sua segurança; como também sei de sua obsessão pelo bem fazer.
Espero, condignamente, que a infância e juventude; que a educação; e que os ideais sociais e humanos estejam em cunho prioritário em seus planos de governo. O homem brasileiro assim o merece.
Esperemos para o ver o futuro acontecer. Aguardemos, com esperança, o porvir; e que a presidente escolhida pelos brasileiros cumpra, como nós, com os seus deveres e com suas promessas de campanha.
José Olavo Bueno dos Passos
Promotor de Justiça da Infância e Juventude

sábado, 30 de outubro de 2010

E SE NÃO EXISTISSE O ECA?

Viver em sociedade é um exercício de lucidez. Vemos, ouvimos e sentimos, ao nosso lado, fatos e coisas que, em muitos casos, assustam-nos com uma intensidade brutal.
Os pavores referenciados se apoderam de minha mente ao ler sobre a professora carioca que passou três dias em um motel com sua aluna de apenas 13 anos. Não bastasse isso, levou para a orgia que estava a realizar outra aluna, também de 13 anos. Fui tomado de todos os medos do mundo apenas com o fato ventilado, de incredulidade esmagadora. Informei-me, no entanto, de outra notícia, aquela tangente a situação de que educadores de escola pátria despiram todos os seus alunos, em busca de uma objeto que, segunda eles, fora furtado no educandário.
A pergunta que brota do exame de tais casos é simples: em que sociedade estamos inseridos?
Costumo fazer palestras, explanações sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Vou a escolas, ornganizações não governamentais, igrejas, instituições públicas, e em outros ambientes, falando e respondendo perguntas. Ouço, invariavelmente, a seguinte colocação: o ECA só estabelece direitos a crianças e adolescentes; o ECA desestruturou a hieraquia nas escolas; o ECA desajustou os limites educacionais na escola e na família. Essa a “ladainha” é rezada, repetitivamente, por professores, pais, funcionários públicos, enfim, por muitos que me assistem falar. Grande engano.
Faço, após o dito, outra pergunta, diferente daquele que costumo ouvir: se fatos como os antes aventados se dão existindo o ECA, como seria sem o estatuto protetor?
O Estatuto da Criança e do Adolescente é uma lei maravilhosa, moderna e justa. Em nenhum momento declina apenas direitos a crianças e adolescentes, impondo-lhes, também, deveres. Afinal, “para cada direito dado um dever será cobrado”, como preceitua o velho e antigo ditado popular.
O ECA, em sua integral redação, tem na essência a concepção do respeito a dignidade humana. Crianças e Adolescentes carecem de proteção pela omissão e irresponsabilidade verificada no contexto social de parte daqueles que deveriam zelar pelos mesmos, incluindo-se, aí, o Estado, como bem preceitua o artigo 98 ao tratar da chamada situação de risco.
Vivenciamos época de alucinante violência intrafamilliar. No momento em que escrevo este texto, soube que uma criança de dois anos foi violentamente espancada por sua genitora. Reitero o questionamento: e se não houvesse o ECA?
Assim, não se fale mal daquilo que não se compreende. Não se repita frases prontas e sem sentido.
Encerro com os dizeres que se encontram no limiar do estatuto protetivo: crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, e devem ser protegidos para o seu desenvolvimento integral, nos planos espiritual, moral e material. Protegidos de quem? De nós mesmos, pais, professores, autoridades constituídas, cidadãos do contexto social e, muitas vezes, deles próprios. É possível atingir tal objetivo? Talvez. O certo é que é viável, sim, lutar-se por isso, utilizando-se na batalha a boa lei de que dispomos, instrumento indispensável para o combate.
Essa a verdade incontestável.

José Olavo Bueno dos Passos
Promotor de Justiça da Infância e Juventude

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - PROERD



Ministério Público do RS
3ª Promotoria de Justiça Especializada – Infância e Juventude
PROERD
O Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) agora é lei. No mês de maio, na Assebléia Legislativa, foi aprovado por unanimidade o projeto de lei 199/09, da autoria do Deputado Estadual Alberto Oliveira que institui o Proerd no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul.
Com a aprovação do projeto o Proerd se torna um programa de Estado, firmado em lei, onde está garantida a realização exclusiva pela BM, independentemente de governos e administrações.
Em junho, a governadora do Estado, Yeda Crusius, sancionou a lei regulamentando o projeto que passa a ser desenvolvido na rede de ensino público e privado de todo Estado, em parceria com entidades interessadas, como forma de orientação aos pais, mediante ações preventivas e cooperativas entre a polícia militar e os segmentos envolvidos com o programa.
Desenvolvido desde 1998 nas escolas do Rio Grande do Sul, o Proerd baseia-se no programa norte- americano DARE (Drug Abuse Resistence Education). O DARE foi desenvolvido em Los Angeles, Califórnia, em 1983, e já é aplicado em outros 50 países.
A BM considera o Proerd um programa da sociedade, em função de basear-se em ação conjunta entre a organização policial militar local, a escola e a comunidade.
Entre os objetivos principais do Proerd estão o desenvolvimento de noções de cidadania, prevenção do uso de drogas e a violência entre crianças e adolescentes.
A ênfase deste programa está em auxiliar os alunos a reconhecerem as pressões diretas ou indiretas que os influenciarão a experimentar álcool, cigarro, maconha, inalantes, ou outras drogas e a resistirem a elas, bem como àquelas para ser engajarem em atividades violentas.
O programa oferece estratégias preventivas para reforçar os fatores de proteção, em especial referentes à família, à escola e à comunidade, que favorecem o desenvolvimento da resistência em jovens que poderiam correr o risco de se envolver com drogas e/ou problemas de comportamento.
O comandante-geral da Brigada Militar define o PROERD como "o maior movimento social do Rio Grande do Sul" pois, ao se trabalhar com 1 milhão de jovens , consegue-se chegar a mais de 2 milhões de adultos em todo estado. E, neste contexto, esta inserido junto ao Ministério Público no Projeto Escola Luz (Grupo Educa- Ação).
*(Drug Abuse Resistence Education) – Educação para resistência ao abuso de droga

Instrutor PROERD Gilson Hartwig
GRUPO EDUCA-AÇÃO

sábado, 23 de outubro de 2010

ANGÚSTIA, SAI PRÁ LÁ!

Percebe-se, a cada dia que passa, uma angústia geral de pais, educadores, administradores, mestres, com a situação vivenciada nas escolas de nossas redes de ensino Municipal e Estadual.
Ouvem-se, nas reuniões, para aprimoramento pedagógico ou para definições administrativas, notícias de evasões escolares inexplicáveis, desrespeitos, violências moral ou física, "buling", abusos sexuais e de todos os tipos, dificuldades de inclusões de alunos ditos especiais no sistema regular, falta de estrutura material para funcionamento dos educandários, enfim, situações que chegam às ráias do desespero.
É preciso uma preparação forte para receber-se tal carga de informações. Em não estando preparados sucumbiremos ao desânimo, partindo-se para a desistência do combate.
Ainda ontem, 22/10/2010, a partir das 14 h, em reunião procedida na Promotoria de Justiça, onde foi realizado encontro para assistir-se o filme "Fim da Linha", realizado por projeto social desenvolvido no município do Capão do Leaõ, RS, sob coordenação da Assistente Social Jaqueline Bandeira, e interpretado por adolescentes que participavam do aludido projeto, vislumbrei a presença da angústia que assola os educadores públicos.
O filme nominado foi produzido em 2006, contando a estória que passa por temos como a gravidez na adolescência, a drogadição, a violência física, o tráfico de drogas, a negligência dos pais, dentre outros temas ainda atuais, de forma séria e grave, não deixando de apontar, no entanto, a imperiosa necessidade da crença de que não estamos derrotados, que podemos contruir uma sociedade melhor, mais justa e mais equânime.
O debate efetivou-se no plano de como resolver-se as questões apontadas, os problemas surgidos, brotando, como conclusão praticamente unânime, a necessidade da união de esforços no caminho do estabelecimento de uma realidade adequada ao feliz e bom viver do homem médio, sentindo-se que o individualismo que caracteriza o contexto social atual apresenta-se como o grande mal para o progresso do homem moderno.
Assim, as autoridades constituídas precisam buscar o agrupamento, a associação, a definição de parâmetros comuns de trabalho, e não o agir de forma isolada, pouco sendo gerando-se em termos de resultados eficazes para um nascer de um mundo melhor.
O trabalho realizado em 22/10/2010 partiu de uma idéia nascida dentro do "Grupo Educa-ação", que busca concretar ações coletivas em prol do processo pedagógico.
Sucesso na ação realizada. Auditório lotado, com necessidade de colocação de cadeiras complementares. Presentes professores, Conselheiros Tutelares, Equipe Técnica da FASE, Equipe Técnica do Regime de Semiliberdade, Equipe Técnica do Promotoria da Infância e Juventude de Pelotas, integrantes da Secretaria Municipal de Cidadania, membros do Grupo Educa-Ação, estagiários e funcionários do Ministério Público, dentre outras pessoas. Excelentes resultados foram alcançados.
Debateram o filme o Promotor de Justiça coordenador da Promotoria de Justiça de Pelotas Paulo Charqueiro e a Psicóloga Renata Bauer, com abertura de espaço para o falar de todos os presentes.
Realizaremos outros eventos buscando a união de todos os trabalhadores na seara educacional.
Fica a velha lição do mestre maior. Em sua parábola nominada "O trabalhador de última hora", Cristo, questionado porque o aquele que foi chamado ao trabalho na décima primeira hora, trabalhando, portanto, apenas uma hora do dia, recebeu, em pagamento, o mesmo valor que aqueles que foram ao labor na terceira e sexta horas, disse aos inquisitores que isso era de todo justo, pois não fora ele antes ao trabalho por ter sido requisitado apenas naquele momento, e, quando instado a fazê-lo, atendeu de boa vontade, não se opondo, não rejeitando o chamamento, hipótese em que não mereceria qualquer compensação.
Dessa forma, busquemos trabalhar juntos, acreditemos e nos voltemos, unidos, para laborar em defesa de uma infância e juventude saudável, livre de pressões, das drogas, e da violência, construindo uma sociedade melhor e um mundo mais justo.
Utopia? Talvez, mas sem sonhar não vive.
Creio que estamos no caminho certo, convicção inarredável, e nele seguiremos adiante.

José Olavo Bueno dos Passos
Promotor de Justiça

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - SALA DE AULA E PROJETO: ESPAÇO DE PARTICIPAÇÃO, VIVÊNCIAS E DISCIPLINA

A sala de aula é um espaço que pode ter dimensões diferentes das que conseguimos ver. É espaço de convivência e pode ser também, espaço de vivências sem limites quando aos partícipes é permitido extrapolar suas paredes e seus assuntos pré-determinados. Nesse espaço extrapolam-se os muros escolares e o ato de educar torna-se um ato de interação, respeito e coerência, pois, como assinala Freire: "a autoridade coerentemente democrática está convicta de que a disciplina verdadeira não existe na estagnação, no silêncio dos silenciados, mas no alvoroço dos inquietos, na dúvida que instiga, na esperança que desperta". (1999, p.102)
Com este olhar a sala de aula deixa de ser apenas um espaço dentro da escola, construído com janelas (geralmente com grades e cortinas); organizado com mesas e cadeiras iguais (às vezes estragadas, às vezes riscadas) e gentes (normalmente enfileiradas), para tornar-se um espaço ilimitado de curiosidade, desejos e alvoroço.
Nas atividades realizadas através de projetos além do trabalho reflexivo realizado pelos professores, há um reaproveitamento do espaço e da organização da Escola que contribui para o êxito das experiências pedagógicas: as classes passam a ser dispostas de forma que os estudantes possam estar em grupos, locomover-se de forma "autorizada" e assim, consigam reinventar as convenções da escola tradicionalmente organizada onde o conhecimento é propriedade do professor, o aluno é receptor e o espaço controladamente disponibilizado, trazendo para sala de aula suas experiências e suas curiosidades.
Alarcão (2001, p.27) nos diz que: "... se quisermos mudar a escola, devemos assumi-la como organismo vivo, dinâmico... capaz de aprender a construir conhecimento sobre si próprio..." o que reforça minha idéia do quanto é importante a escolha do tema, do material, da forma como trabalhar, tornando, assim, os alunos mais interessados, participantes e felizes por não perderem tempo e por sentirem que na escola também se vive.
Assim, utilizando diferentes linguagens o professor pode apresentar e desenvolver temas junto com os estudantes propiciando aos mesmos o reconhecimento como cidadãos, sujeitos históricos, autônomos e, portanto, também responsáveis pelos temas estudados.
Avalio a importância do trabalho docente e o quanto se faz necessária a reflexão e o repensar da prática cotidiana, pois trabalhar com projetos é uma prática possível e até necessária como alternativa para atender expectativas e sonhos dos estudantes, despertar seus encantamentos e como estimulador de atitudes de convivência gentil e afetiva.
A ação e a reflexão da ação, que leva a um pensar acerca do conjunto do trabalho de sala de aula que deve ser acompanhado de pensamento crítico são fatores que podem garantir à escola, o lugar de destaque que ela merece um lugar de formação, informação, alegria e prazer.
Quando a escola tem, em seus professores pensadores e indagadores, começa a mostrar-se para a sociedade como uma instituição humana com espaços de produção, de criação, de relação que pode fazer valer a vontade de todos os envolvidos nas ações pedagógicas, sem preconceitos, com muito profissionalismo e afetividade. Assume, então, esse professor, de forma humana e histórica, sua subjetividade, sua realidade e seu papel de eterno construtor de possibilidades, passando pelo processo camaleônico que desencadeia reflexão de si.
As máscaras e proteções que marcam nossos olhares na escola fazem, muitas vezes, com que realizemos frequentemente, mais uma "flexão" (no sentido de dobrar-se diante de uma situação imutável e/ou inevitável) com relação às nossas ações. Flexionamos nossos olhares para gostar ou não gostar do que estamos fazendo - o que pode nos levar a desistir ou persistir de uma ação ou situação - mas, antes de nos dobrarmos diante de aparentes evidências, é preciso que façamos uma reflexão crítica do nosso papel e de nossa ação na situação em questão.


Referências Bibliográficas
ALARCÃO, Isabel (org.). Escola Reflexiva e Nova Racionalidade. Porto Alegre. ArtMed, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

Professora Alice Szezepanski
Grupo Educa-Ação

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - INCLUSÃO DE QUEM?

INCLUSÃO, DE QUEM?

Fala-se muito em inclusão, discutem-se seus benefícios, tanto para os alunos especiais como para os ditos normais e inúmeros estudos têm comprovado que este é o melhor caminho para garantir desempenho e aprendizagem satisfatórios. Mas, gostaria de abordar o termo "inclusão" em um sentido mais amplo.
Pensando na realidade escolar atual, no perfil da escola pública brasileira do século XXI, questiono se não temos muitos "excluídos" neste universo.
Quantos alunos estão, de fato, inseridos no processo de aprendizagem?
Quando falamos naqueles que não conseguem aprovação porque não têm as condições sociais básicas de sobrevivência digna, não estamos presenciando uma forma de exclusão?
Quando encontramos crianças que estão assumindo papéis de adulto no cuidado da casa e dos irmãos menores, e até na luta diária pelo sustento, e por isso não cumprem todas as tarefas escolares, não estamos diante de lacunas que precisam ser preenchidas?
Quando acompanhamos programas de alfabetização que desconhecem as questões sociais que estão por trás dos fracassos, não estamos praticando exclusão?
Quando só buscamos tecnologias para permitir o acesso de portadores de deficiências ao processo de aprendizagem, estamos promovendo inclusão?
Como educadores, temos algum poder nas mãos para promover uma mudança social; temos a obrigação de quem lida com mentes e pensamentos, de provocar uma reflexão.
Sendo assim, verificamos que são muitos os questionamentos que nos fazem ter uma visão crítica sobre o que realmente significa inclusão.
Recorrendo ao dicionário a definição nos diz: "colocar dentro". Então, ampliando nosso entendimento, estar dentro do sistema educacional, vivenciar a experiência de aprendiz, no verdadeiro sentido, significa ter resolutividade, estar inserido, apresentar produção e comprovar a aprendizagem e a capacidade adquirida de transformar o mundo que o cerca.
Este é o ponto de maior reflexão: qual a postura da escola para receber indistintamente TODOS os alunos.
Um ambiente de fato acolhedor, que saiba reconhecer as potencialidades de cada um, que não se limite ao óbvio, que vá atrás do que é realmente significativo, que resgate o encantamento pelo aprendizado, que traga um conteúdo real, "pé no chão", que possa mostrar ao estudante como fazer a diferença por ter adquirido um conhecimento capaz de torná-lo competente na sua vida futura diante das solicitações que se apresentarem.
Com estas colocações, podemos voltar ao título: Inclusão de quem?
Escola verdadeiramente inclusiva é aquela que não faz nenhum tipo de distinção, que estabelece suas diretrizes, as torna públicas, e acolhem todos aqueles que buscam o saber; que reconhece o valor das aprendizagens prévias e sabe caminhar junto com as famílias ( ou seus substitutos ) sem fazer juízos, visando somente o crescimento dos alunos como indivíduos capazes de assumir o comando de suas vidas, fazendo escolhas que os levem a um futuro feliz.
Não podemos desconhecer que esta escola não está aí, disponível em qualquer esquina, mas, ao mesmo tempo, temos de reconhecer que existe uma caminhada em processo, que várias iniciativas têm proporcionado oportunidades de crescimento a gestores e educadores conscientes de seu relevante papel no cenário estudantil, que o trabalho com educação NUNCA está terminado, que a vida escolar exige abertura ao novo, adaptações, superações, desacomodações e, acima de tudo, pessoas que realmente estejam comprometidas com a INCLUSÃO em sentido maiúsculo, onde o maior objetivo seja, simplesmente, a formação de todos como "gente", no verdadeiro e amplo sentido desta palavra, com valores humanos incluídos e com a certeza de que ocuparão um lugar significativo na sociedade porque passaram por uma escola que lhe deu bagagem e valeu a pena.

PSICÓLOGA Lúcia Valente Elias - Grupo EDUCA AÇÃO

terça-feira, 5 de outubro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - ESTIGMAS E ESCOLA: UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE O ALUNO CONSIDERADO PROBLEMA

Abordar esse tema na contemporaneidade remete-nos, de imediato, a refletir a respeito do contexto escolar sob um enfoque mais amplo, desvinculado do senso comum, o qual aponta os problemas familiares e as necessidades educativas especiais como a gênese do referido estigma. Nesse contexto, as visões epistemológicas que norteiam as práticas educativas não são consideradas.
Segundo Patto (2008), mesmo no caso de uma psicodinâmica familiar dificultadora do bom rendimento escolar, não se pode entender o aproveitamento escolar de uma criança sem levar em conta a maneira como a escola se relaciona com a sua subjetividade.
O estigma "aluno problema" é uma questão complexa cujas causas parecem ser múltiplas e diversas, necessitando de uma análise conceitual capaz de superar o paradigma tradicional e a visão empírica que trata dessa temática como resultado natural dos processos escolares.
Surge, neste momento, a necessidade de delimitar o campo conceitual do termo "estigma", que nesse percurso foi guiado pelo pensamento de Erving Goffman, por tratar-se de um autor que reexamina os conceitos de estigma e identidade social, os desvios e o comportamento desviante, detendo-se na situação de pessoa estigmatizada, revelando sua imagem humanamente explicada à luz da antropologia social.
O termo "estigma", portanto, será usado como referência a um atributo profundamente depreciativo que leva o indivíduo a tornar-se diferente de outros que se encontram na mesma categoria social e, neste caso, o aluno dentro do contexto escolar.
A sociedade estabelece os meios de categorizar as pessoas e o total de atributos considerados como naturais para os membros de cada uma dessas categorias. Os ambientes sociais estabelecem as categorias de pessoas que têm probabilidade de serem neles encontrados (...) então quando um estranho nos é apresentado, os primeiros aspectos nos permitem prever sua categoria e os seus atributos, a sua ‘identidade social’ (...)"
(Goffman, 1988,p.11-12)
Este pensar é o que faz mover muitas vezes as ações que ocorrem no ambiente escolar, principalmente quando o professor, baseado nessas preconcepções, transforma as expectativas em relação aos seus alunos em exigências apresentadas de modo rigoroso. Goffman esclarece que "caracteristicamente, ignoramos que fizemos tais exigências ou que elas significam até que surge uma questão efetiva".
A partir do momento que existe a percepção que determinado aluno não preenche as expectativas do ambiente escolar, naturalmente ele é considerado um aluno problema.
Na maioria das vezes, a escola não aceita ritmos e comportamentos diferenciados no percurso da aprendizagem pois existem padrões rígidos que acomodam regras e certezas absolutas que tendem a se cristalizar construindo amarras imobilizadoras, capazes de escrever na história de uma criança um capítulo de fracasso e decepção.
É importante ressaltar que esta concepção incorporada na história escolar deste aluno, impede que ele possa ser visto como um sujeito na sua inteireza, dotado de potencialidades e capaz de aprender a partir do desenvolvimento de suas capacidades.
Portanto, é de suma importância reconhecer a necessidade da quebra do paradigma tradicional positivista, o qual prestigia a fragmentação do conhecimento e a busca pela igualdade nas formas de ensinar e aprender como forma de possibilitar o avanço necessário para a prática de uma educação realmente inclusiva.
Pensar na proposta escolar inclusiva emerge como desafio central da prática escolar contemporânea, exigindo a transformação conceitual e prática da escola para a atenção à diversidade. Faz-se necessário reconhecer a heterogeneidade como a realidade do nosso cenário educacional e humano, rompendo, definitivamente, com todo e qualquer dualismo que impeça a percepção do sujeito na sua integralidade.
O interesse em discutir a respeito das diferenças e das subjetividades no contexto educacional poderá provocar a necessidade de uma reflexão profunda a respeito da prática pedagógica, seus ritos, mitos, conceitos e preconceitos, na tentativa de desconstruir o estigma "aluno problema".
Finalmente, importa interrogarmo-nos sobre o real significado desta mudança conceitual para todos envolvidos no cenário educacional.

Vera Savedra
Grupo Educa-Ação

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

GRUPO EDUCA-AÇÃO - EDUCAÇÃO PARA CULTURA DA PAZ, UM ENSINO COMPATÍVEL COM A ESCOLA

EDUCAÇÃO PARA CULTURA DA PAZ
UM ENSINO COMPATÍVEL COM A ESCOLA

O ano de 2010 foi proclamado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional de Aproximação das Culturas. As rotas de diálogo intercultural, a nova versão das histórias gerais e regionais e o encontro entre as civilizações são alguns dos enfoques deste ano, que encerra a Década Internacional para uma Cultura de Paz e Não-Violência, proposta igualmente pelas Nações Unidas para o começo do terceiro milênio – 2001-2010.
A decisão impulsionou avanços em todo o mundo, no sentido de aproximação cultural. A própria Unesco (organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) criou diversos programas de superação dos fatores que causam preconceito, exclusão, discriminação, inimizade, injustiça e violência entre indivíduos, culturas e religiões.
Dentro deste contexto, vários episódios recentes avivaram a discussão sobre a violência, a discriminação, a intolerância presente em nossas escolas.
É importante ressaltar que a escola é o lugar de um processo permanente, que poderíamos chamar, num sentido bem amplo, de "alfabetização". A escola ensina a ler, não só textos escritos, cada vez mais complexos, mas o mundo em que vivemos; ela ensina a compreender o nosso ambiente, a "ecologia humana" na qual estamos todos envolvidos.
Não há dúvida de que para contribuir com o específico de uma agência cultural como é o caso da escola, a Cultura da Paz é um dos fundamentos que propicia ações que valorizam a diversidade, o respeito as diferenças e possibilita fomentar a consciência de uma história, de um presente e de um destino entrelaçados para a humanidade.
Educar para a Paz é um dos grandes desafios de nossa sociedade, pois vivemos em uma cultura individualista e consumista.
Diante dessa realidade que não dá lugar para valores como solidariedade, tolerância, respeito as diferenças; a generosidade e humildade estão cada vez mais distantes das nossas crianças, jovens e das famílias.
As famílias hoje, acabam tendo dificuldades de exercer o papel de educadores diante da influência crescente da mídia e de comportamentos incoerentes entre o que dizem e o que fazem, enfraquecendo a autoridade parental e fragilizando os laços familiares. A inserção dos pais no mercado de trabalho, as diferentes tarefas impostas aos filhos, faz com que os momentos de lazer na maioria das famílias se tornem cada vez menos freqüentes e, não raro, o diálogo e o afeto são substituídos por bens materiais. Nossas crianças não brincam mais, as brincadeiras infantis foram substituídas pela era de apertar botões.
A Paz, todavia é ensinável e certamente passa pela construção e o fortalecimento dos laços familiares, dos quais demandam ações como afirmação da identidade pessoal e cultural, vivência, reflexão e respeito aos valores éticos universais, educação ambiental, sensibilização quanto a questões étnicas e de gênero, mobilização e promoção do bem estar coletivo, bem como aprendizado para que os conflitos sejam resolvidos de forma pacífica e não de forma violenta.
A construção da Paz constitui-se numa tarefa primordial e interativa de cada ser humano, pois somos todos sujeitos da vocação da Paz. Ao mesmo tempo em que a violência é aprendida, a paz é ensinável.
"Pensar em uma Cultura de Paz exige a necessidade de transformações (...) indispensáveis para que a paz seja o princípio governante d todas as relações humanas e sociais que vão desde a dimensão de valores, atitudes e estilos de vida, até a estrutura econômica e jurídica e a participação cidadã" (Freizi Milani, 2003, p. 31 apud Jornal Mundo Jovem).
É nessa perspectiva que a família e escola podem e devem trabalhar com seus filhos e educandos, crianças e jovens de toda a comunidade escolar, buscando formas de inculcar mensagens atitudes positivas, centradas nas potencialidades e não nas fragilidades do sujeito.
Valorizar pequenos gestos de amizade, saber ouvir com atenção, respeitar opiniões diversas, visando ao equilíbrio nas relações, preservando o espaço e a autonomia do jovem. Compadecer-se dos tristes e solitários, ter ressonâncias humanas. Favorecer o protagonismo juvenil implica reconhecer o jovem como sujeito do seu próprio processo de desenvolvimento, o que exige o acompanhamento pela família e pela escola, que assume novas formas de contemporaneidade.
O maior desafio para que nossas crianças e jovens experimentem o sentimento de pertença a escola é fazer com que o diálogo e o afeto façam parte do cotidiano, pois, "para saber ensinar, basta saber amar" (Ruben Alves).
Esta abertura que educa para Paz, exige compreensão, flexibilidade para aceitar o novo, reciprocidade e respeito a valores que constantemente semeados possibilitam uma relação de confiança e enriquecedora para o bem estar de todos os envolvidos no processo de educação.
Parece que estamos diante de uma oportunidade preciosa, semear a Paz; que pode fazer de um imenso bem à educação e ao mundo tão necessitado de reconciliação. Mas teríamos que fazer isso com profunda honradez, com um testemunho no qual o discurso se alia a prática, por ser essa a nossa verdadeira essência e não por uma manobra estratégica. Ser mensageiro da Paz não é concessão ao mundo, é corresponder, da melhor maneira possível, ao projeto de quem criou o universo.

Pelotas, 30 de junho de 2010.

Profª. Dora Mara de Almeida Domingues
GRUPO "EDUCA-AÇÃO"
Promotoria da Justiça da Infância e da Juventude.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ONDE ESTÃO OS PAIS?

Na noite entre os dias 27 e 28 de agosto, a 3a. Promotoria de Justiça Especializada liderou "força tarefa", composta pela Brigada Militar, Vigilância Sanitaria Municipal, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar e Polícia Ambiental, em fiscalização a duas casas noturnas de Pelotas. Cumpriu-se mandado judicial expedido pelo Juízo da Infância e Juventude, a pedido do Ministério Público.
A "força tarefa" reuniu-se no prédio da Promotoria de Justiça - 90 Policiais Militares, sendo dois Capitães, que os comandaram; seis vigilantes sanitários; oito Conselheiros Tutelares; dois Policiais Miliares Ambientais; uma guarnição do Corpo de Bombeiros, comandada por um Tenente; e pela Promotoria de Justiça , dois dois Secretários de Diligências e o Promotor de Justiça titular da infância e juventude - às 23:30 h, para de madrugada executar a operação planejada.
Deslocando-se em comboio, vistoriou-se a primeira casa noturna, local totalmente impróprio para a frequência humana, onde foram identificados 12 adolescentes, que receberam o atendimento do Conselho Tutelar. As pessoas presentes foram tiveram vistoriados seus antecendentes policiais, sendo o local, ao final, fechado pela vigilância sanitária e bombeiros.
Após o primeiro trabalho, executou-se a segunda parte da operação, em uma nova casa noturna, onde foram identificados 112 adolescentes, devidamente atendidos pelo Conselho Tutelar. Da mesma forma que o anterior, não possuía a casa noturna qualquer condições para receber público. Foi fechada pela vigilância sanitária e bombeiros. Nessa operação foram apreendidos 22 papelotes de cocaína, preso um foragido, cumprido um mandado de prisão, apreendida uma menor, que se encontrava evadida de abrigo municipal, e apurada situação de outros que consumiam bebidas alcoólicas adquiridas no local
De todo o exposto a de se perguntar: e onde estão os pais? Sabem eles onde seus filhos se encontrame o que estão a fazer? Imaginam os riscos a que estão submetidos?
Não se sabe a resposta para tal questão mas, sem dúvida, é extremamente preocupante o que se viu, bem como o fato do Estado ter que organizar um trabalho como o descrito, que importa em planejamento, custo e tempo, para fazer impor limites de condutas e, em suma, substituir os pais no exercício de responsabilidades que, na verdade, são da esfera de atuação dos mesmos.
Os devidos processos e procedimentos, criminais e cíveis, serão instaurados em face do ocorrido.
Outras operações acontecerão. A pergunta feita, no entanto, talvez continue sem resposta.
José Olavo Bueno dos Passos
Promotor de Justiça da 3a. PJE